A MINHA ODISSEIA...

quinta-feira, setembro 06, 2007

Para Além do Sol, Eternamente... Sondas Voyager - 30 Anos Depois

















OBRIGADO VOYAGER, POR NOS FAZEREM SONHAR... SEMPRE...

A ideia foi de CARL SAGAN. A Voyager 1 já tinha acabado a sua missão, a observação de Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno, os planetas exteriores, e dirigia-se para fora do Sistema Solar, a caminho das estrelas. Encontrava-se a mais de 6000 milhões de quilómetros da Terra, para lá de Plutão. Que tal virar as câmaras da sonda para trás, antes de serem desligadas, para um ultimo bilhete-postal do Sol e dos planetas? Não era ciência, diziam alguns elementos da missão, mas Carl Sagan convenceu a NASA e, a 14 de Fevereiro de 1990, a Voyager 1 tirou 60 fotografias de seis planetas. Uma tornou-se mítica: aquela da Terra vista das profundezas do espaço, um pontinho azul, pálido, quase esbatido, sobre um fundo de estrelas brilhante.

Carl Sagan inspirou-se nessa fotografia para o título de um livro “O Ponto Azul-Claro”, que publicou em 1994. “É a nossa casa. Somos nós. Nele vivem ou viveram todas as pessoas que ama, todas as pessoas que conhece, todas as pessoas de que ouviu falar, todos os Seres Humanos que alguma vez existiram”, escreveu Sagan.

“A nossa posição, a nossa auto-importância imaginada, a ilusão de que ocupamos um lugar privilegiado no Universo, são desafiadas por este pequeno ponto de luz clara. O nosso planeta é uma partícula solitária numa imensa escuridão cósmica envolvente”, acrescentava o astrónomo, que, quase 11 anos após a sua morte, continua a inspirar-nos e a apelar ao melhor de nós. “Não existirá possivelmente melhor demonstração da loucura dos preconceitos humanos do que esta imagem de longe do nosso mundo minúsculo. Para mim, ela realça a nossa responsabilidade para lidarmos mais gentilmente uns com os outros e preservarmos e estimarmos o ponto azul-claro, o único lar que sempre conhecemos”.

Mas se aquela foi a primeira oportunidade, a até agora a única, de ver a Terra como um mero ponto no Cosmos, há outra imagem do nosso planeta registada pela Voyager 1 que ficou para a história. A da Terra e da Lua juntas pela primeira vez numa única fotografia, tirada a 18 de Setembro de 1977, estava a sonda no espaço havia 13 dias. Entre estas duas imagens-ícones, assistiu-se a uma viagem inesquecível de exploração científica do espaço, controlada no Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA, em Pasadena, Califórnia.

As Voyager partiram há 30 anos. Primeiro, a Voyager 2, a 20 de Agosto de 1977. Depois, a Voyager 1, a 5 de Setembro.
Tinham 900 quilos, muitos instrumentos científicos (os mais mediáticos foram as duas câmaras de televisão que obtiveram milhares de imagens) e um pequeno gerador nuclear, para que as sondas tivessem energia longe do Sol. Iam cheias de redundâncias, para qualquer falha ser compensada durante a Grand Tour, como ficou conhecida a sua viagem a Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno. Aproveitaram um alinhamento raro, que ocorre a cada 175 anos, entre os maiores planetas, para os estudar de uma assentada. Utilizaram o campo gravitacional de cada um deles, que assim as acelerou e projectou para o seguinte.

A Voyager 1 chegou primeiro a Júpiter, a 5 de Março de 1979. A irmã apanhou-a a 9 de Julho desse ano. Em Novembro de 1980, a Voyager 1 visitava o planeta dos anéis, alcançada pela segunda sonda em Agosto de 1981. Só a Voyager 2 seguiu para Urano (Janeiro de 1986) e Neptuno (Agosto de 1989), onde nunca mais regressaria outra sonda. A Voyager 1 foi encaminhada para a Lua Titã, de Saturno, a única no Sistema Solar com uma verdadeira atmosfera. Assim que concluiu a missão nos domínios de Saturno, começou a dirigir-se para fora do Sistema Solar.

De todas as novidades enviadas pela Voyager 1, as preferidas de Carl Sagan referem-se a Io, outro satélite de Júpiter. Quando lá chegou, revelou uma superfície multicolor que não se parecia com nada já conhecido. “A Voyager acabava de descobrir o primeiro vulcão em erupção fora da Terra”. Em Saturno, os anéis apareceram diante da Voyager como colares, repletos de partículas de gelo e fragmentos do tamanho de um carro. Em Titã, descobriu que a sua atmosfera contém principalmente azoto e que é mais densa do que a da Terra. A Voyager 2 haveria de nos surpreender com a descoberta de anéis noutro planeta, Urano. E em Neptuno, visitou a Lua Tritão, onde descobriu géisers de azoto, para depois ser a sua vez de se dirigir para fora do Sistema Solar.

Neste momento, as sondas continuam a enviar informação para a Terra, contra as expectativas iniciais, sobre raios cósmicos, o campo magnético ou radiação ultravioleta oriunda das estrelas. Encontram-se num local onde nunca antes esteve qualquer engenho humano. A Voyager 1 está a 15.500 milhões de quilómetros da Terra. Tal significa que está 3,3 vezes mais longe que Plutão do Sol. A Voyager 2 encontra-se a 12.500 milhões de quilómetros. A estas distâncias, as sondas aproximam-se da fronteira do Sistema Solar, onde termina o império do Sol e começa o de outras estrelas. Só daqui a 20 mil anos as duas sondas terminarão a passagem pela Nuvem de Oort (um berço de estrelas), para continuarem a errar pelo Cosmos, sem voltarem a entrar num outro sistema solar. Espera-se que funcionem até 2020, quando deverá esgotar-se a energia dos seus reactores nucleares. Então, passarão a ser apenas mensageiros longínquos da Terra. Ou não transportassem um disco dourado destinado a saudar algum extraterrestre.

O conteúdo foi escolhido por uma comissão presidida por Carl Sagan: saudações em 55 línguas, 115 imagens da Terra (da Grande Muralha da China à Ponte Golden Gate), sons de baleias, do vento, de aves, de trovões, do choro de um bebé ou o registo de um electrocardiograma de uma jovem apaixonada, e uma selecção musical (de Beethoven, de Louis Armstrong, uma canção de casamento peruana ou a canção “Johnny be Good” de Chuck Berry).

Os extraterrestres poderão não compreender as nossas saudações, mas, dizia Carl Sagan em “O Ponto Azul-Claro”, seria indelicado não lhes dizer olá. Mesmo que ninguém dê com as Voyager, daqui a 5000 milhões de anos, quando o Sol morrer, cada sonda será uma mensagem em si mesma, considerava Sagan. Porque a Terra ficará reduzida a poeiras, os Seres Humanos ter-se-ão extinguido ou evoluído para outros seres e nenhum dos nossos artefactos terá sobrevivido na Terra.

“Longe de casa, intocadas por estes acontecimentos remotos, as Voyager, transportando as memórias de um mundo desaparecido, prosseguirão as suas viagens”.

In Revista "Pública" de 2/09/07












1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

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11:14 da tarde  

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